Arquitetura de interiores além da estética

A arquitetura de interiores é um conceito que engloba muito mais do que a palavra decoração. É muito mais complexa e abrangente do que a simples resolução estética de um espaço.

Assim como a volumetria das construções, as soluções para os espaços internos também podem interferir diretamente nas sensações, gastos, praticidade das pessoas e, ainda, influencia diretamente a experiência em um edifício.

Como qualquer bom projeto de arquitetura, a arquitetura de interiores tem como principal objetivo resolver e facilitar a vida dos usuários. Considerando aspectos funcionais, técnicos, psicológicos, de sensações, de conforto, de uso, de execução, de materiais, de viabilidade financeira e assim por diante.

Os espaços internos devem ser pensados de maneira a servir às funções específicas, buscando sempre:

  • Entender os usuários e como eles vão se comportar dentro do ambiente;
  • Compreender o uso e fluxos dos espaços;
  • Compreender as sensações psicológicas que os materiais, mobiliários, iluminação e outros aspectos criam nos usuários;
  • Entender as dimensões mínimas para cada tipo de uso;
  • Pensar no conforto ambiental dos usuários;
  • Ter consciência das condições técnicas mínimas para viabilizar o ambiente;

A PROA, este ano, está tendo a oportunidade de realizar o projeto arquitetônico e de interiores para um Centro de Bem Estar para autistas, com a possibilidade de colocar em prática todo esse cuidado com os usuários. Trabalhando com coerência entre o espaço interno e o espaço externo para garantir que o edifício funcione corretamente.

Muitas crianças autistas são supersensíveis à visão, audição, toque, cheiro e à sensação que o ambiente transmite. Por isso, é bastante relevante que a arquitetura beneficie a qualidade de vida delas, além dos tratamentos ofertados no centro e do convívio familiar.

”A arquitetura é um dos poucos meios de design que requer interação física completa. Criar ambientes responsivos, sensoriais (espaços físicos que suportam uma maior conexão mente-corpo, ajudam a desenvolver habilidades e expandir a interação social) poderia ser uma poderosa ferramenta no tratamento do autismo”.

Se existir essa preocupação, de perceber cada indivíduo e projetar de acordo com ele, a arquitetura tem mais chances de cumprir com o seu papel original, que é de gerar bem-estar, tanto funcional quanto psicológico, pessoal ou coletivo, e garantir a cada um que dentro dos ambientes seja possível se sentir bem. Afinal é no interior dos edifícios onde passamos uma parte significativa do nosso tempo.

Fonte imagem: http://www.archdaily.com.br/br/802486/paisagens-arquitetonicas-fornecem-terapia-para-criancas-com-autismo?ad_medium=widget&ad_name=navigation-prev